As velas são uma das criações mais inventivas de um tempo diferente do nosso, criadas para atender a uma necessidade vital: a iluminação.
Desde a descoberta do fogo, a humanidade buscou meios para iluminar a escuridão. E nada é mais católico do que iluminar as trevas, pois onde há luz, a escuridão não prevalece.
A Origem das Velas
Em várias civilizações, de diferentes formas, o fogo era utilizado para possibilitar a iluminação.
Tochas e lamparinas, que utilizavam óleos, eram usadas para fornecer luz por meio da queima de gordura animal ou até mesmo de óleo de oliva.
Existem registros remotos de que na China, cerca de 5000 anos antes de Cristo, já existiam artefatos semelhantes ao que chamamos de velas hoje.
No Egito Antigo, também se encontram dados de que se fabricavam velas a partir de algum tipo de cera ou sebo animal, incluindo o uso de aromatizantes.
Os romanos também já produziam suas velas com a finalidade de iluminar, inclusive dentro de cerimônias ritualísticas.
As Velas no Cristianismo
Com o crescimento do cristianismo em meio às perseguições romanas, as celebrações da Eucaristia eram feitas em locais fechados, como casas e catacumbas.
As velas, portanto, em um primeiro momento, foram usadas simplesmente para iluminar o ambiente.
No entanto, aos poucos, elas foram ganhando um significado cristológico, já que Nosso Senhor também havia dito:
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” – João 8, 12
A Simbologia Cristã das Velas
Com o tempo, as velas deixaram de ter apenas o papel de iluminação para carregar uma profunda simbologia cristã.
Como Jesus é a luz do mundo, ninguém que caminha com Ele pode permanecer nas trevas.
Na liturgia, por exemplo, no Sábado da Vigília Pascal, o padre acende o Círio Pascal.
A palavra “círio” vem de cereum (cera) e é uma representação simbólica da presença de Jesus que ilumina.
Em todo batismo, uma vela também é acesa no Círio para representar a iluminação que o batizando recebe de Cristo por meio do sacramento.
Geralmente, nas missas dominicais, nota-se a presença de duas velas no presbitério ou sobre o altar.
Outros Símbolos Cristãos
Uma vela acesa também pode ser representada da seguinte forma:
- A cera representa o Pai;
- O pavio representa Jesus;
- O fogo representa o Espírito Santo.
Nosso Senhor, na continuidade do Sermão da Montanha, no Evangelho de São Mateus, diz:
Vós sois a luz do mundo […] Ninguém acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. – Mateus 5, 14-16
Logo, também nós somos como velas acesas para iluminar o mundo ao nosso redor com a luz de Cristo.
Dessa forma, nós nos consumimos pelo fogo do amor de Deus, gastando-nos, assim como a cera, por amor aos irmãos e ao Senhor.
A quantidade de velas em uma celebração litúrgica pode variar dependendo da solenidade.
Embora esteja previsto que o número se altere de acordo com a importância do dia, é comum que as paróquias usem apenas duas velas para todas as celebrações.
Contudo, a presença dessas duas velas podem simbolizar as duas naturezas de Cristo: a humana e a divina.
Além disso e mais liturgicamente adequado, as duas velas indicam, sobretudo, a honra, a solenidade e a luz que acompanham o altar e o sacrifício eucarístico.
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