
Sim, a confissão é um dos sacramentos que mais precisamos buscar com frequência.
Mas você sabe como aproveitar este momento em que receberá a graça da misericórdia de Deus?
Confessar seus pecados não é meramente dizer ao padre que você pecou. É muito mais do que isso.
Antes de entrar no assunto propriamente dito sobre a confissão, gostaria de esclarecer de forma sucinta o que é o pecado.
O que é o pecado
Para melhor situar este entendimento, e para não estender demais esta explicação, vou desconsiderar o pecado original.
O Catecismo define pecado assim:
O pecado é uma falta contra a razão, a verdade e a reta consciência; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo.
(CIC §1849)
Também explico que, de maneira alguma, as poucas palavras deste breve artigo serão capazes de esgotar o assunto.
Logo, meu objetivo é compreender o que a Igreja diz, por meio do Catecismo, quando o pecado é causa de confissão, isto é, quando ele é imputado.
Primeiro, deve-se saber que aquilo que nos leva à confissão, de modo obrigatório, é o pecado mortal.
Entende-se por pecado mortal todo ato grave cometido contra os Mandamentos da Lei de Deus.
Mas é possível que um pecado contra os mandamentos das leis de Deus não seja causa de confissão?
A resposta objetiva é: sim.
Vamos ao Catecismo para esclarecer melhor o que a Igreja diz quando um pecado deve ser levado à confissão como pecado mortal.
Para ser pecado mortal
Vimos que o pecado é uma falta contra a razão e contra nossa própria consciência.
Muitas vezes negligenciamos um bem maior por algo que, aparentemente, parece bom.
Indo diretamente ao ponto, segundo o Catecismo da Igreja Católica, para que um pecado seja mortal são necessárias três condições:
- Matéria grave
- Pleno conhecimento
- Pleno consentimento
O Catecismo ensina:
Para que um pecado seja mortal requerem-se, em simultâneo, três condições: ‘É pecado mortal o que tem por objeto uma matéria grave e é cometido com plena consciência e de propósito deliberado’.
(CIC 1857)
Entende-se por matéria grave aquilo que é indicado pelos mandamentos como um mal em si.
O pleno conhecimento significa saber que aquilo é pecado e que vai contra a lei de Deus.
O pleno consentimento significa que a pessoa realiza o ato livremente, com vontade própria.
Portanto, para que exista pecado mortal, é necessário que eu saiba que aquilo é contra os mandamentos, tenha consciência disso e mesmo assim decida fazê-lo.
Mas veja bem. Digamos que você cometeu algo e não sabia que aquilo era pecado. Mesmo assim, leve para a confissão.
O sacramento da reconciliação não existe apenas para declarar pecados, mas para receber a graça de Deus e ordenar melhor a nossa consciência.
Nosso Senhor confiou à Igreja o poder de perdoar os pecados:
“A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados.” (Jo 20,23)
As 5 etapas para uma boa confissão
Agora que entendemos melhor o que é o pecado e quando ele é mortal, podemos falar sobre como fazer uma boa confissão.
A tradição da Igreja costuma indicar cinco etapas simples.
- Exame de consciência
Antes de ir ao confessionário, pare um momento e examine sua vida. Recorde seus pecados à luz dos Mandamentos e dos ensinamentos de Cristo. - Arrependimento
Não basta apenas lembrar os pecados. É preciso sentir verdadeiro arrependimento e desejar mudar de vida. - Propósito de não pecar novamente
Quem se confessa deve ter a decisão sincera de evitar o pecado e procurar as ocasiões que o levam a cair. - Confissão dos pecados
Diante do sacerdote, diga com simplicidade e sinceridade os seus pecados. O padre está ali como ministro da misericórdia de Deus. - Cumprir a penitência
Depois de receber a absolvição, procure cumprir a penitência indicada. Ela é um pequeno gesto de reparação e de conversão.
Conclusão
A confissão não deve ser vista como um momento de medo ou vergonha, mas como um encontro com a misericórdia de Deus.
Por meio deste sacramento, Cristo continua oferecendo perdão e renovação à sua Igreja.
Por isso, não tenha receio de se aproximar do confessionário. Examine sua consciência, arrependa-se com sinceridade e confie na misericórdia divina.
A cada boa confissão, a alma é restaurada e fortalecida para continuar caminhando na vida cristã.
