
Quando alguém afirma a si mesmo: “Não quero pecar”, ele expressa o desejo profundo de evitar a queda.
Esse desejo é o primeiro sinal de que a graça de Deus já está agindo naquela alma, movendo a vontade em direção ao bem.
Mas, o que é o pecado?
Para vencer um inimigo, precisamos conhecê-lo. O Catecismo da Igreja Católica (CIC), no parágrafo 1849, nos oferece uma definição precisa:
“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a reta consciência. É uma falha contra o verdadeiro amor para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana.”
A “Miopia” da Alma
Analisando este parágrafo, percebemos que a “falta contra a razão” ocorre quando nossos impulsos e emoções nos dominam.
Mesmo quando nossa inteligência nos alerta que algo está errado, a ferida do pecado original cria uma espécie de “miopia espiritual”.
O erro nos é apresentado como algo bom e atraente, ofuscando a realidade.
Assim, o pecado torna-se a aceitação da nossa vontade desordenada, preferindo satisfazer inclinações passageiras em vez do bem eterno.
Então, como evitar o pecado na prática?
Se nossa razão é, por vezes, míope e nossa vontade é desordenada, o caminho é o treinamento da vontade.
- Ordem da Razão: Precisamos educar nossa inteligência com a sã doutrina para que ela identifique as armadilhas.
- Propósito Firme: Sem a decisão racional de evitar a ocasião de queda, o combate se torna impossível.
- Auxílio da Graça: Por fim, devemos reconhecer que o esforço humano sozinho não basta. É necessário o auxílio constante da graça de Deus através da oração e dos sacramentos.
As Consequências Práticas
De uma forma simplificada, para que se possa ser objetivo, centraliza-se as consequências práticas do pecado e da virtude.
Sobre o Pecado: São Paulo, é bem enfático em dizer que: O salário do pecado, é a morte (Rm 6, 23).
Antes, Nosso Senhor já havia dito: antes tenhais medo da morte eterna (Mt. 10, 28). Conclui-se que o pecado é um caminho de destruição do ser, levando-nos para longe de Deus.
Sobre a Virtude: A virtude é uma força, é um esforço adquirido que com o tempo torna-se naturalmente exercido, assim como o vício, pelo hábito.
É pelo hábito, pela prática das coisas elevadas que nos fortalecemos e vencemos aquilo que nos leva a pecar.

Conclusão
Além da morte espiritual, o pecado traz consequências desastrosas, tornando-nos cada vez mais egoístas e mesquinhos.
Uma pessoa embriagada em seus vícios tende a tratar os outros como objeto para satisfazer seus próprios interesses, seja de que ordem for.
Mas há um caminho: buscar a ordem correta das coisas e confiar na graça de Deus. No arrependimento, devemos deixar ecoar as palavras de Nosso Senhor:
“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” (Mt 11, 29).