
O jejum não é algo inventado ou mesmo inspirado na espiritualidade cristã; outras religiões já praticavam o exercício de se abster de alimentos ou de alguns alimentos.
No entanto, para a Igreja o jejum possui uma estrada que converge com o sofrimento de Cristo e a conquista das virtudes.
É sabido que, antes do cristianismo ser aceito pelo Império Romano como uma religião, muitos cristãos foram levados à morte por causa de Jesus.
Jejum e Dieta ou Jejum Intermitente
Bem, preciso ser franco, ao mesmo tempo que não subestimo sua inteligência. Primeiro, eu realmente acredito que você saberia diferenciar o jejum de uma dieta.
Contudo alguns possam se valer de um jejum intermitente ou mesmo de uma dieta para fins de saúde ou estética, e tudo bem, o jejum católico não possui esta preocupação.
Mas veja, o jejum proposto pela Igreja não é um desprezo pelo corpo, é antes um reconhecimento de que o que nos mantém saudáveis não depende de nós; depende sempre de algo externo a nós.
Ao jejuar, reconhecemos o quão valioso é o alimento e o quanto necessitamos dele. Abster-se dos alimentos, no propósito cristão, além de ser um exercício de humildade, remove um véu e nos faz perceber nossa fragilidade.
Como os Padres da Igreja Viviam o Testemunho e o Jejum
Você já se imaginou vivendo nas primeiras eras cristãs? Com toda a certeza havia muitos problemas; um dos maiores eram as perseguições do Império.
Santo Inácio de Antioquia (sec. II), por exemplo, escreveu sua carta aos Romanos indo para ser devorado pelos leões. Disse ele:
O meu amor está crucificado… Há em mim uma água viva que murmura dentro de mim e me diz interiormente: “Vem para o Pai”.
Porém, devia ser indescritível ter contato com homens e mulheres que admiramos e hoje chamamos de santos, por terem dedicado suas vidas à Igreja de Nosso Senhor.
Veja, foi neste contexto de perseguições e descobrimento das verdades de fé que os primeiros cristãos desejavam ardentemente vivenciar uma espiritualidade que fosse digna de ser chamada de cristã.
Contudo, se o testemunho, o martírio, por si só já atesta a firmeza na fé em Jesus Cristo, o jejum é uma via de renúncia e de perfeição.
São várias as exortações dos Padres da Igreja, na era patrística, que advertiam os fiéis quanto à prática do jejum.
São João Crisóstomo (sec. IV) afirma categoricamente que, se a abstinência de alimentos não for algo transformador na vida do cristão, de nada vale.
Não me digas: “Jejuei tantos dias, não comi isto ou aquilo”. Mostra-me, antes, se te tornaste uma pessoa melhor; se aquele que era irascível se tornou manso; se aquele que era invejoso se tornou caridoso.
Portanto, viver a fé em toda a sua dimensão, rica em ascese e espiritualidade, deve nos conduzir sempre à conversão.

Conclusão
Jejuar é uma das práticas adotadas pela Igreja desde seus primórdios; no entanto, ela deve ser acompanhada de nosso testemunho, aderindo à fé e comprometendo-nos com a transformação do irascível para a mansidão e da inveja para a caridade, sempre com Cristo.