
O tema “demônio” e sua ação é algo recorrente no ambiente cristão. Mas, afinal, como será que este espírito maligno age na prática?
Se você já assistiu a filmes como O Exorcista ou O Exorcismo de Emily Rose, assim como eu, deve ter ficado impressionado com as manifestações extraordinárias.
No entanto, a ação do inimigo costuma ser muito mais sutil e cotidiana do que as telas de cinema mostram.
Neste artigo, eu gostaria de trazer informações relevantes e seguras sobre esta criatura e sua forma de atuação.
Se você já acompanha o Cultura e Fé Católica, sabe que busco tratar todos os temas com a sobriedade católica; sem o sensacionalismo da ficção, mas com a seriedade que a nossa fé exige.
O Que é Um Demônio?
Muitas vezes utilizamos a palavra “demônio” para designar uma entidade maligna e perversa.
No entanto, etimologicamente falando, o termo grego daímon referia-se a uma “entidade espiritual”, sem classificar originalmente se o ser era bom ou mau.
Foi com o tempo que a palavra “demônio” passou a ser usada especificamente para distinguir os anjos caídos dos anjos fiéis a Deus.
Compreender essa definição nos conecta à sua real natureza e nos ajuda a lidar melhor com essa realidade sobrenatural.
O demônio é:
Uma criatura: Ele foi criado por Deus; não possui poder criador próprio.
Espírito: É um ser puramente espiritual, logo, não possui corpo ou forma física.
Anjo: Por sua natureza e lugar na criação, o demônio é, essencialmente, um anjo.
Livre: Este ser escolheu, por vontade própria, rebelar-se contra o Criador.
Inteligente: Todos os anjos possuem uma inteligência vastamente superior à humana.
Portanto, o demônio não é um “semideus”. Ele é um ser que foi criado para amar e servir a Deus, mas que se revoltou e escolheu rejeitá-Lo definitivamente.
Como o Demônio Age?
Antes de entendermos a dinâmica dessa atuação, vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina sobre o tema. No parágrafo §407, lemos:
“A doutrina sobre o pecado original – ligada à da redenção por Cristo – proporciona uma visão de lúcido discernimento sobre a situação do homem e da sua ação neste mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu um certo domínio sobre o homem, embora este permanecesse livre. O pecado original traz consigo «a escravidão, sob o poder daquele que possuía o império da morte, isto é, do Diabo». Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da ação social.”
Portanto, o diabo (que significa “divisor“) possui um poder sobre a humanidade que, embora real, é limitado por Deus.
A ação mais comum e perigosa do demônio para nossas almas é a tentação. Ele age apresentando opções que parecem boas, induzindo-nos a escolher — por vontade própria — o “fruto proibido“, assim como fizeram Adão e Eva.
As tentações podem surgir de duas formas principais:
Interna: Através de sugestões em nossos pensamentos e imaginação.
Externa: Através de circunstâncias ou influências de outras pessoas.
Por exemplo, suponha que você esteja lutando contra um vício. Se o demônio percebe que você está resistindo aos maus pensamentos, ele pode tentar influenciar situações externas ou pessoas ao seu redor para que o levem a pecar.
Conclusão
O demônio é uma criatura que escolheu livremente viver fora da graça divina. Por ódio a Deus e à Sua criação, esses seres buscam levar a humanidade à perdição.
Satanás utiliza a tentação para nos apresentar o mal com aparência de bem, mas cabe a nós, pelo exercício da nossa vontade e com o auxílio da Graça, aceitar ou recusar tais investidas.
Nota cultural: O filme O Exorcismo de Emily Rose foi baseado no caso real de Anneliese Michel. A Igreja trata esses casos com extremo rigor e cautela científica antes de declarar uma possessão.
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