A Semana Santa é, sem dúvida, o caminho que norteia o maior evento litúrgico da Igreja: a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
É nestes dias que o destino e o caminho a ser percorrido se encontram em um evento único: a Vigília Pascal.
A Quaresma é um grande itinerário, dividida em fases, e a Semana Santa é a maior delas, não em número de dias, mas em sua grandiosidade e mistério.
Quando inicia a Semana Santa?
A Semana Santa inicia-se no Domingo de Ramos, levando-nos até o ponto mais alto da nossa fé: a celebração da Páscoa.
Nesta semana, há três grandes eventos marcados pela liturgia que compõem o Tríduo Pascal:
- Quinta-Feira Santa: Celebra-se a Instituição do Sacerdócio, da Eucaristia e o Mandamento Novo (Lava-pés);
- Sexta-Feira da Paixão: A adoração da Santa Cruz. O Crucificado é apresentado aos fiéis e, na representação da Cruz, Jesus é adorado, pois foi nela que o Senhor nos resgatou;
- Sábado Santo: O Fogo Novo é aceso, marcando o início de um novo tempo na Igreja. O grito do Glória, até então contido, é entoado com toda força e vigor na Vigília Pascal.
Entretanto, quero chamar sua atenção para a profundidade da Quinta-Feira Santa.
A Quinta-Feira Santa: O Mistério da Paixão
Neste dia, a celebração litúrgica inicia-se com um certo suspiro; parece que nada irá acontecer.
No entanto, somos convidados a presenciar momentos fortíssimos da liturgia:
- O altar será desnudado;
- Não haverá a bênção final;
- O Senhor será levado.
O Altar será desnudado
O padre, diácono ou acólito removerá a toalha do altar.
Esse ato representa a humilhação e a nudez de Jesus, que foi despido de suas vestes:
Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura.” (João 19, 23)
Este fato ocorre pouco antes da crucificação, mas na liturgia o tempo é suspenso; o chronos (tempo humano) de nada importa.
Tudo o que ocorreu naquela noite é revelado pelo rito e acontece ao mesmo tempo no kairós (tempo de Deus).
O altar deixa transparecer sua estrutura fria, rígida e sombria; a morte se aproxima.
Não haverá a bênção final
Neste dia não há bênção final. A bênção traz alegria e esperança, mas este momento é de luto.
Contudo, em toda Santa Missa, a bênção marca o encerramento da liturgia.
Se ela não nos é dada agora, presume-se que a celebração ainda não acabou: estamos dentro da liturgia.
O ciclo do Tríduo Pascal só será encerrado no Sábado, com a Vigília Pascal anunciando a ressurreição.
O Senhor será levado
As hóstias consagradas são conduzidas a um lugar de destaque para serem adoradas.
O Senhor sobe com seus Apóstolos ao Monte das Oliveiras; lá Ele roga ao Pai, enquanto ninguém é capaz de ficar acordado.
Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo.
Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse aos seus discípulos: ‘Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar’. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se […] Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então, não pudestes vigiar uma hora comigo. (Mateus 26, 36-37; 40)
“Acordado”, aqui, não se refere apenas ao ato físico, mas ao saber o que está por vir.
A solidão é marcante e parece não ter fim. Assim como narra o Evangelho, Ele será levado.
Conclusão
A Semana Santa é o rumo certo para a grandiosa festa da Ressurreição.
O Tríduo Pascal abre as portas do transcendente, desfazendo o véu do tempo e trazendo a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus para o nosso presente.
Ao experimentarmos esse mergulho espiritual, só podemos concluir uma coisa: o túmulo está vazio.
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