
Se você já se perguntou: “Posso comer carne vermelha na Quaresma?”, este breve post pode esclarecer sua dúvida.
Antes de tudo, é necessário entender que a Quaresma é um período de aproximadamente quarenta dias. Logo, a pergunta sobre comer ou não carne vermelha precisa ser um pouco mais refinada.
Mas, antes disso, vamos compreender o que a Igreja considera como carne e qual é o propósito da abstinência.
O que é carne para a Igreja?
De modo simples, quando a Igreja fala em “carne”, ela se refere à carne de animais terrestres: bovina (boi), suína (porco), aves (frango, peru etc.).
Não se trata apenas de “carne vermelha”, mas de carne de animais de sangue quente.
E por que a Igreja pede que nos abstenhamos dessas carnes?
Não é porque haja algo de impuro nelas. Pelo contrário, são alimentos bons e nutritivos. Essas carnes possuem alto valor proteico e dão maior saciedade, força e vigor.
Existe algum problema em consumir proteína animal? Evidentemente que não. A questão não é nutricional, mas espiritual.
Qual é o sentido de não comer carne?
O sentido do período quaresmal está na busca da conversão e do autodomínio. Ao invés de simplesmente satisfazer as vontades, busco ordenar meus desejos.
Ao renunciar a algo que me fortalece e satisfaz, recordo que não sou autossuficiente. Reconheço que, para me manter vivo, dependo de realidades que vêm de fora: o ar que respiro, a água que bebo e o alimento que consumo.
A abstinência é um pequeno exercício de humildade.
“Não comer carne” é permitir que o corpo experimente uma leve privação, um pequeno sacrifício, unindo-se de modo mais amoroso ao sacrifício de Cristo.
Mas é importante lembrar: a penitência exterior não tem valor se não for acompanhada da conversão interior.
Como disse São João Paulo II:
“A penitência exterior não tem valor se não for acompanhada pela conversão interior.”

Então, não devo comer carne na Quaresma?
Aqui entra o refinamento da pergunta.
A Quaresma dura cerca de quarenta dias, mas a Igreja pede abstinência obrigatória de carne em dois dias específicos:
Quarta-feira de Cinzas
Sexta-feira da Paixão
Além disso, permanece a tradição (e obrigação, salvo exceções determinadas pela Conferência Episcopal) de não se comer carne em todas as sextas-feiras da Quaresma.
Fora esses dias, o fiel pode comer carne, a não ser que deseje oferecer esse sacrifício como penitência pessoal.
