A Nova Era, ou New Age, é um movimento de raízes profundas. Há quem diga que a Nova Era surgiu com grande intensidade no fim do século XX, provavelmente na década de 60.
Em 1960, grandes acontecimentos ocorriam no mundo. A revolução sexual, o avanço do feminismo e a cultura hippie moldaram a cultura social que repercute nos dias de hoje.
Havia mudanças na política mundial. O Brasil caminhava para uma “república democrática” que iria se concretizar nos anos 80. A Igreja Católica passava por transformações internas que resultaram em seu 21º Concílio Ecumênico.
O que é a Nova Era
Diante deste cenário de transformações sociais e com o avanço progressista e liberal dentro da Igreja, a espiritualidade e a apostolicidade evangélica, esquecendo-se da integralidade humana, focando-se em um socialismo falido, mas insistente, deixaram à deriva a sobriedade da religião.
Por natureza antropológica, o homem é um indivíduo religioso e busca respostas para os anseios da alma humana, algo que o materialismo não consegue responder e tampouco dá direção ao espiritual para este mesmo homem.
Foi então que, no vazio da sua existência e no olhar fechado do clero progressista, movimentos religiosos passaram a oferecer respostas para diluir a ansiedade da alma em meio ao gnosticismo, às meditações e ao deleite por uma consciência suprema.
Contudo, isto ainda não responde o que é a Nova Era, mas dá pistas de sua estrutura tão diversa e, ao mesmo tempo, não única. E aqui preciso ser honesto. Conceituar este “movimento” espiritualista não é algo tão fácil. E não é fácil porque sua estrutura envolve um conjunto de crenças que se misturam.
Crenças como o xamanismo, o hinduísmo, a alquimia, o espiritismo e a wicca são exemplos de conceitos religiosos que possuem em si diferenças estruturais, mas que conceitualmente se aproximam umas das outras, e nenhuma delas está próxima do cristianismo.
Portanto, não é muito fácil conceituar o movimento New Age e é quase impossível não relacioná-lo com viagens astrais, canais de comunicação com seres de outros mundos ou falecidos, meditações como o yoga e assim por diante.
No ano de 1980, o pensamento místico esotérico, também abraçado pela New Age, cativou celebridades do mundo todo, criando uma matriz cultural em diferentes segmentos, como a literatura, a música e o cinema.
Uma das grandes propagadoras deste movimento foi Shirley MacLaine, uma atriz estadunidense que publicou obras com a finalidade de propagar suas experiências místicas e difundir o “sistema” do movimento New Age.

Diz ela em um de seus livros, Minhas Vidas, em tradução para o português:
“Descobri que a teoria da progressão das almas, através da reencarnação, tornara-se parte do sistema de pensamento da Nova Era, não apenas na Califórnia, mas também em todo o mundo ocidental.”
Considere compreender que Shirley MacLaine entende este movimento espiritualista como um sistema e que o Ocidente já o havia absorvido como uma modalidade ou mesmo como uma proposta espiritual para seu tempo.
A atriz em questão foi uma grande propagadora. Não é raro encontrar suas afirmações acerca de suas experiências e o quanto, para ela, foi “reveladora” sua aproximação com aquilo que antes considerava “oculto”.
Na mesma obra já citada, ela diz:
“Tentei manter a mente aberta enquanto seguia pela jornada, porque me descobri gentil, mas firmemente exposta a dimensões de tempo e espaço que antes disso, para mim, pertenciam à ficção científica ou ao que eu descreveria como o oculto.”
Shirley MacLaine foi uma grande propagandista do movimento espiritualista. No entanto, não foi a única no meio artístico. Por exemplo, no meio musical, bandas como Earth, Wind & Fire.
O movimento espiritualista da Nova Era apresenta um desenvolvimento espiritual antropocêntrico, que consiste no crescimento transcendente do indivíduo. Sendo assim, o foco está na pessoa.
Na letra da música Shining Star (1977), da banda Earth, Wind & Fire, encontra-se um sutil vestígio desta afirmação do ser: “You’re a shining star, no matter who you are”, que, em uma tradução livre, seria “Você é uma estrela brilhante, não importa quem você é”.
Por fim, o oculto revelado
O oculto é uma promessa. É uma busca que cativa seus aspirantes com a promessa de um mundo sobrenatural desconhecido e escalonável, mas que pode ser alcançado por quem o deseja de forma persistente.
Há centenas de abordagens esotéricas que foram sendo aplicadas durante décadas. Não é difícil encontrar vestígios do transcendentalismo new ager nos segmentos sociais que foram se desenvolvendo ao longo das últimas décadas.
O termo “oculto” carrega uma carga de mistério, ao mesmo tempo que faz o discípulo convencer-se de que, além de ser um “escolhido”, é também alguém que está sendo “liberto” das amarras da religião.